História

A história da Paróquia Sant’Ana começa no alto da colina de Santana, exatamente onde hoje se ergue o quartel do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR/SP), na esquina das ruas Alfredo Pujol e Chemin del Prá. Ali, os missionários jesuítas instalaram a sede de uma fazenda: uma construção tipo solar, com uma capela anexa (Capela Sant’Ana), que serviu de residência, abrigando os religiosos jesuítas. A Fazenda Sant’Ana era responsável pelo abastecimento alimentício da capital paulista que se desenvolvia no além rio Tietê. Presidia a Capela da Fazenda a imagem de Sant’Ana que hoje pode ser encontrada no fundo da Igreja, ao lado esquerdo.

Com a expulsão dos jesuítas do Brasil, pelo Marquês de Pombal, em 1759, esta propriedade foi transferida para a Coroa Portuguesa e passou a ser residência dos conselheiros do Governo. Em 1850, o Solar passou a ser sede do Seminário dos Educandos de Santana, uma escola pública. Mais tarde, em 1875, o governo do Estado aproveitou o prédio para ali instalar o hospital de variolosos. Com a mudança do hospital, ocupou o local a “Tramway da Cantareira”, linha urbana de trens na cidade de São Paulo, que ali instalou suas oficinas, em 1892. O velho e histórico imóvel foi desocupado em 1894, sendo transformado em quartel das tropas federais de São Paulo.

É a partir daqui que a história deste importante edifício, palco de momentos históricos importantíssimos para a história do Brasil (há relatos de que dele José Bonifácio de Andrada e Silva escreveu o famoso documento que culminou no “Dia do Fico”, em 1822), começa a coincidir com a história da Paróquia Sant’Ana. Ao começarem as obras de reforma do antigo edifício, muito deteriorado, foi encontrada, nas escavações, a imagem de Sant’Ana pertencente à antiga capela jesuíta, a esta altura já demolida. A imagem foi levada para a residência de moradores da região e a partir de então o culto à Sant’Ana começa a crescer.

Atendendo aos clamores do povo e do clero, em 12 de julho de 1895, o cardeal Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante, então bispo diocesano de São Paulo, assina o decreto de Criação da Paróquia Sant’Ana desmembrando-a da Igreja de Santa Ifigênia. O Decreto foi lido na Paróquia de Santa Ifigênia no dia 21 de julho, do mesmo ano. No domingo seguinte, dia 26, a imagem de Sant’Ana foi solenemente levada para a sede provisória da Paróquia Sant’Ana, a capela Santa Cruz, no alto de Santana, onde foi celebrada a festa de Sant’Ana e São Joaquim.

O território abrangido pela nova Paróquia era imenso, compreendendo toda a atual região norte da cidade, a partir do Rio Tietê, incluindo até a cidade de Guarulhos. Os primeiros párocos foram o cônego Antonio Augusto Lessa, os Padres Cândido Correa, Robert Landell (inventor do rádio), Brás Joaquim Mercadante e Paulo Palermo. Em 1904, os missionários saletinos, chegados no Brasil em 1902, assumiram Sant’Ana, sua primeira Paróquia no Brasil, sendo párocos os padres Clemente Henrique Moussier, Leão Perroche, Fidelis Willi, Agostinho Poncet, Simão Baccelli, André Duguet, Francisco Amos Connor, Santo Granzotto, Clorário Caimi, Guido Gaiato, Afonso Nilton Gasparetto, Aldacir José Carniel.

Em 1986, a paróquia foi assumida por padres diocesanos da Arquidiocese de São Paulo, sendo párocos os padres Nadir Sergio Granzotto, Victor Santana Milagres Fernandes, Tommaso Leporale, João Luiz Miqueletti, Maurício Vieira de Souza e atualmente José Roberto Abreu de Mattos.

Em 1896 foi lançada a pedra fundamental do atual templo, mas somente em 1906 foi iniciada a construção pelo sétimo pároco, o padre Clemente Moussier. Em 1914 as obras foram interrompidas por causa da crise econômica, fruto da Primeira Guerra Mundial sendo retomadas seis anos depois pelo padre Fidelis Willi. Nos anos seguintes, sob o comando dos padres André Duguet e Francisco Amos Connor, foram construídas as torres e feito o acabamento interno e a modificação do altar-mor. O padre Francisco Amos Connor, falecido em 27 de dezembro de 1974, esteve como vigário desta paróquia durante 20 anos, atuou como médico psiquiátrico, dando apoio e orientação principalmente aos jovens. Como homenagem à sua memória o jornalista Dr. Ary Silva, do Jornal “A Gazeta da Zona Norte”, então deputado, conseguiu que o prefeito aprovasse a indicação, dando a uma rua do Tremembé o seu nome, o que aconteceu também com outros padres da Matriz de Sant’Ana como padres Charton, Fidelis Willy, André Duguet, Clemente Moussier, Leão Peroche, Agostinho Poncet, Pascoal Rochedreux.

Um detalhe importante e que poucos se recordam é que foi o escultor Artur Pederzoli, nascido em Modena, Itália e falecido aos 18 de março de 1961, quem esculpiu a imagem de Sant’Ana, do altar-mor, a imagem do Senhor dos Passos, a Via Sacra, as portinholas das mesas de comunhão dos altares laterais, a imagem de São João Maria Vianney, na capela do Santíssimo, imagem de Santa Catarina Labouré, o Cristo Crucificado e a Sagrada Família. Entre suas obras no exterior destaca-se a estátua de Jesus Crucificado, que está no Vaticano. Na Faculdade do Largo de São Francisco está a estátua do Pensador. O escultor Artur Pederzoli tem muitas obras espalhadas pelo Brasil e pela Europa.

Sant’Ana foi patrona e protetora da cidade e Arquidiocese de São Paulo. O documento do Papa Pio VI, de 31 de maio de 1782, elege Sant’Ana como protetora e patrona da Cidade e da Diocese de São Paulo. Em 2008, por ocasião do Ano Paulino, o Papa Bento XVI declarou São Paulo padroeiro da Arquidiocese.

A Paróquia Sant’Ana sempre se destacou por seus inúmeros serviços pastorais, bem como pelos serviços sociais prestados à Comunidade através do CEPHAS (Centro de Promoção Humana e Assistência Social) da Paróquia Sant’Ana criado em 1938. Há mais de vinte anos, a Comunidade oferece aos fiéis ao menos três missas diárias, permanecendo o templo aberto das 06h30 às 19h (de acordo com atividade pastoral).